Deploy seguro (migrações + graceful shutdown)¶
Dois riscos clássicos de deploy: uma migration que apaga dados sem querer, e um rollout que corta requests no meio quando o pod velho morre. Esta receita cobre as duas defesas que o SDK traz.
Migrações seguras: safe_upgrade¶
AlembicHelper.safe_upgrade() roda o upgrade só se nenhuma migration
pendente for destrutiva. Ele varre o def upgrade() de cada revision
pendente atrás de chamadas que apagam dados — op.drop_table,
op.drop_column, op.drop_constraint (e variantes batch_op) — e, se
achar alguma, levanta DestructiveMigrationError sem tocar no banco.
from tempest_fastapi_sdk import AlembicHelper, DestructiveMigrationError
def deploy_migrations() -> None:
"""Aplica migrations no deploy, barrando DROPs acidentais."""
helper: AlembicHelper = AlembicHelper(db_url="postgresql+asyncpg://...")
try:
helper.safe_upgrade("head")
except DestructiveMigrationError as exc:
# CI/CD falha aqui — alguém precisa revisar e liberar com force.
for revision, op in exc.offences:
print(f"bloqueado: {revision} → {op}")
raise
A varredura olha o código da migration, não o SQL gerado — então não
dá falso-positivo no rebuild de tabela que o SQLite faz em batch mode. Um
drop_* no downgrade() (o caminho normal e esperado) é ignorado.
Liberando um DROP intencional¶
Quando o DROP é proposital (você já fez backup, já validou), passe
force=True — as operações destrutivas são logadas e o upgrade roda:
from tempest_fastapi_sdk import AlembicHelper
helper: AlembicHelper = AlembicHelper(db_url="postgresql+asyncpg://...")
helper.safe_upgrade("head", force=True) # eu sei o que estou fazendo
Só inspecionar
helper.pending_destructive_ops("head") devolve a lista de
(revision, operação) sem rodar nada — útil pra um passo de CI que só
reporta.
force=True apaga dados
DROP COLUMN / DROP TABLE são irreversíveis. Só use force=True
depois de backup e revisão humana.
Backup antes de migrar (DatabaseBackup)¶
safe_upgrade recusa a migration destrutiva, mas às vezes o DROP é proposital.
A ordem certa nesse caso é backup → force=True → validar. DatabaseBackup
faz o dump a partir da mesma DATABASE_URL do serviço:
# scripts/deploy.py
from pathlib import Path
from tempest_fastapi_sdk import DatabaseBackup
from src.core.settings import settings
backup: DatabaseBackup = DatabaseBackup(settings.DATABASE_URL)
written: Path = backup.backup()
print(f"dump em {written}")
O sufixo +asyncpg/+aiosqlite da URL é removido sozinho — você passa a URL da
aplicação, sem manter uma segunda variável só pro backup. Sem output=, o
arquivo sai em backups/<db>_<AAAAMMDD-HHMMSS>.<ext>.
| Backend | backup() usa |
Formato |
|---|---|---|
postgresql |
pg_dump |
custom (-Fc) por default; .sql no output (ou plain=True) faz dump texto |
sqlite |
cópia de arquivo | o próprio .sqlite |
Restaurar é o espelho — o formato sai da extensão:
from pathlib import Path
from tempest_fastapi_sdk import DatabaseBackup
from src.core.settings import settings
backup = DatabaseBackup(settings.DATABASE_URL)
backup.restore(Path("backups/app_20260727-104500.dump"))
clean=True (default) derruba os objetos antes de recriar, então a restauração
é uma cópia fiel: pg_restore --clean --if-exists no formato custom, DROP
SCHEMA public CASCADE antes do psql -f no plain, sobrescrita do arquivo no
SQLite. Passe clean=False pra restaurar por cima de um banco existente.
Banco em container: docker_container=¶
Quando o Postgres roda no container dele, instalar postgresql-client na imagem
da aplicação — e mantê-lo numa versão compatível com o servidor — é peso morto
só pro job noturno. A imagem do banco já tem o pg_dump exato da versão dela:
from pathlib import Path
from tempest_fastapi_sdk import DatabaseBackup
from src.core.settings import settings
backup = DatabaseBackup(settings.DATABASE_URL, docker_container="app-db")
written: Path = backup.backup(Path("backups/app.dump"))
backup.restore(written)
Com docker_container setado, o pg_dump roda dentro do container e o dump
volta pelo stdout para o arquivo local; o restore faz o caminho inverso, com o
arquivo entrando pelo stdin do pg_restore/psql. Sem ele, nada muda.
Três detalhes que fazem esse modo funcionar
-h/-psão descartados. O host e a porta da URL descrevem como a aplicação alcança o banco de fora; dentro do container esse caminho não existe. Usuário e database continuam vindo da URL.- A senha atravessa por nome. O comando carrega
-e PGPASSWORD, sem valor: o Docker copia do ambiente do processo que chamou. Escrever-e PGPASSWORD=…colocaria a senha na linha de comando do container, que qualquerpsno host lê. - Nada é copiado para dentro. O restore transmite pelo stdin em vez de
docker cp, então não sobra arquivo temporário no container nem janela em que ele está pela metade.
O que o modo exige é o docker no PATH de quem chama — e é isso que o
BackupToolMissingError passa a checar aqui, no lugar do pg_dump.
Os dois erros que você vai ver primeiro
BackupToolMissingError—pg_dump/pg_restore/psql(ou odocker, no modo acima) não está noPATH. Container de app raramente traz o client do Postgres; instalepostgresql-clientna imagem que roda o deploy, usedocker_container=, ou rode o backup de outro lugar.UnsupportedBackupBackendError— dialeto sem estratégia (MySQL, SQL Server). Só Postgres e SQLite são cobertos.
Os dois são levantados antes de criar backups/, então uma falha nunca
deixa um diretório vazio pra alguém confundir com backup feito.
Métodos síncronos, de propósito
pg_dump é processo, cópia de arquivo é I/O de disco — nada disso ganha com
async. Chame de um comando de CLI ou script de deploy; se precisar de
dentro de código async, use asyncio.to_thread(backup.backup).
Graceful shutdown: drenar requests em voo¶
No rollout, o orquestrador manda SIGTERM e, depois de um tempo,
SIGKILL. Se uma request ainda estiver rodando quando o worker morre, ela
é cortada — vira um 502 intermitente. GracefulShutdownMiddleware:
- Ao entrar em drenagem, responde
503+Retry-Afterpra requests novas, então o load balancer para de rotear pra esse pod. - Conta as requests em voo;
wait_drained()espera elas terminarem (com timeout) antes do processo sair.
Você segura a instância e dirige a drenagem pelo lifespan (o uvicorn
roda o shutdown do lifespan no SIGTERM — e é ele quem cuida do sinal):
from contextlib import asynccontextmanager
from collections.abc import AsyncGenerator
from fastapi import FastAPI
from starlette.middleware.base import BaseHTTPMiddleware
from tempest_fastapi_sdk import GracefulShutdownMiddleware
shutdown: GracefulShutdownMiddleware = GracefulShutdownMiddleware(drain_timeout=25.0)
@asynccontextmanager
async def lifespan(app: FastAPI) -> AsyncGenerator[None, None]:
"""Drena as requests em voo no shutdown."""
yield
shutdown.begin_drain()
await shutdown.wait_drained()
app: FastAPI = FastAPI(lifespan=lifespan)
app.add_middleware(BaseHTTPMiddleware, dispatch=shutdown.dispatch)
Configure o grace period do orquestrador um pouco acima do
drain_timeout, e o --timeout-graceful-shutdown do uvicorn pra casar.
O sinal é do seu servidor
O uvicorn já instala handlers de SIGTERM e dispara o shutdown do
lifespan — dirija a drenagem por lá. O método opt-in
install_signal_handlers() só serve pra servidores que não
gerenciam sinais sozinhos; ele encadeia o handler anterior e é no-op
fora da thread principal.
Recap¶
AlembicHelper.safe_upgrade()recusa migrations destrutivas (DestructiveMigrationError);force=Truelibera;pending_destructive_ops()só inspeciona.DatabaseBackup(url).backup()/.restore(path)— dump e restauração por dialeto (Postgres viapg_dump/pg_restore, SQLite por cópia), a partir da mesmaDATABASE_URLdo serviço.GracefulShutdownMiddlewareresponde503durante a drenagem ewait_drained()espera as requests em voo — dirigido pelolifespan.